O Vietname é um país longo, estendido entre duas taças de arroz. A norte abre-se o delta do rio Vermelho, e ali fica Hanói. A sul abre-se o delta do Mekong, e ali fica a metrópole comercial que outrora se chamou Saigão. A capital ficou no norte. O peso do país puxou para sul.
Em 331 212 quilómetros quadrados vivem 101 598 527 pessoas, enfiadas ao longo da costa. Onde as montanhas se aproximam do mar o país torna-se estreito e a estrada torna-se uma linha de vida. Os vizinhos são a China a norte, o Laos e o Camboja a oeste. O vietnamita, escrito em letras latinas, é a língua oficial de toda a faixa. O dong é a sua moeda. A pergunta de qual delta dirige o Estado recebe uma resposta da capital e outra do mercado.
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Vietname num relance
Capital
Hanói
Área
331 212 km²
Habitantes
101,6 milhões
Língua(s) oficial(is)
Vietnamita
Moeda
Dong
Continente
Ásia
Facto distintivo
Capital no delta do norte
Dois deltas, um país estreito
O rio Vermelho depositou uma planície a norte, densamente povoada, velha como centro político. Hanói fica nessa planície, não na foz e não numa altura afastada da costa. O Mekong sai do interior da Ásia e, a sul, abre-se em braços, arrozais e canais. A Cidade de Ho Chi Minh assenta na orla dessa taça, cidade portuária e cidade industrial. Entre os dois deltas fica um meio estreito, onde os passos e os tufões marcam o ritmo do movimento.
Esta forma é a razão de o Vietname raramente se imaginar como uma superfície e quase sempre como uma rota. Uma decisão tomada em Hanói tem de descer pelo corpo estreito antes de chegar ao delta do Mekong. O arroz cresce nas duas taças. A do sul é a grande câmara do comércio moderno, a do norte a câmara mais antiga da capital. Se vês apenas a silhueta, vês um S. Se vês o Estado, vês duas planícies que uma só capital deve manter juntas.
Hanói fica, o peso puxa para sul
Em 1976 o Estado reunificado constituiu-se como República Socialista do Vietname. Hanói continuou a ser a capital. Saigão recebeu o nome de Cidade de Ho Chi Minh. Isso não foi uma mudança de nome neutra nem uma transferência da sede. O norte, que tinha ganho a guerra, conservou o centro político. O sul conservou a cidade onde estão o comércio, o porto e uma grande parte da energia urbana. O mapa do poder e o mapa do trabalho não coincidiram, portanto.
Desde então um partido governa uma faixa cujas pontas têm histórias distintas. Hanói fala pelo Estado, distribui cargos e fixa o quadro. A Cidade de Ho Chi Minh atrai fábricas, portos e migração do interior. Entre elas ficam cidades de província que não são nem capital nem metrópole e mesmo assim formam o corpo sem o qual os dois deltas seriam apenas vizinhos. A unidade fez-se no plano político. A geografia lembra a todos, todos os dias, que é uma rota.
Hanói continuou a ser a capital porque o Estado conservou o seu centro no norte. O delta do Mekong não deixou de ser a taça mais pesada.
- TerraTally · Redação de países
Uma língua ao longo da costa
O vietnamita segura a faixa na língua, numa escrita latina que o Estado fez escrita de todo o país. Os dialetos tornam audíveis o norte e o sul sem partir a língua oficial. O dong, emitido pelo banco do Estado, é o dinheiro dos dois deltas. A norte o país faz fronteira com a China, a oeste com o Laos e o Camboja. A longa relação com o vizinho do norte nunca foi mera vizinhança na política. A capital fica mais perto dessa fronteira do que do Mekong.
A leste fica o mar que muitas vezes se chama mar da China Meridional no uso internacional e que o Vietname chama mar do Leste. As reivindicações nele partilham-se com outros Estados ribeirinhos. A própria costa é, sem disputa, o lado longo do Estado: peixe, portos, estaleiros, a estrada que ata o corpo estreito. O Vietname pode governar-se porque uma língua, um partido e uma capital organizam a rota. Continua a ser um país cuja taça mais pesada não é aquela em que está a capital.
Hanói governa o Vietname a partir do delta do rio Vermelho. A Cidade de Ho Chi Minh e o Mekong levam a outra ponta. O dong e a língua única colam a rota. Não mudam a capital para onde o país pesa mais.