Cartum é uma capital que uma imagem de rios explica. Onde o Nilo Branco, vindo do sul, e o Nilo Azul, vindo da Etiópia, se juntam, construiu-se a cidade que devia governar o Sudão. A confluência é real e poderosa. Continua a ser demasiado pequena para o país que se apoia nesse ponto.
51 662 147 pessoas vivem em 1 886 068 quilómetros quadrados. Depois da separação do Sudão do Sul, o Sudão continua a ser um Estado de deserto, Sahel e um corredor do Nilo curto e decisivo. Os vizinhos são o Egito, a Líbia, o Chade, a República Centro-Africana, o Sudão do Sul, a Etiópia e a Eritreia. O árabe e o inglês são as línguas oficiais, e a libra sudanesa é o dinheiro do banco central. Cartum, Ondurmã e Bahri, muitas vezes chamados em conjunto Cartum, formam a massa urbana na confluência. O resto do mapa é vasto, seco e tem outro endereço político.
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Sudão num relance
Capital
Cartum
Superfície
1 886 068 km²
Habitantes
51,7 milhões
Língua(s) oficial(is)
árabe, inglês
Moeda
libra sudanesa
Continente
África
Particularidade
Uma capital onde o Nilo Branco e o Nilo Azul se encontram
O ponto em que os Nilos se encontram
O Nilo Azul traz a água das terras altas da Etiópia; o Nilo Branco, a água do sul que os pântanos já filtraram. O encontro dos dois é a planta de Cartum: uma cidade na língua de terra, Ondurmã na margem ocidental, Bahri a norte. A rega na Gezira, entre os dois rios, transformou este nó numa paisagem agrícola, não apenas num bairro do governo. O algodão, os canais e os planos estatais prenderam o interior à capital. O Nilo foi ao mesmo tempo estrada, cobrador de impostos e mito.
Durante muito tempo imaginou-se o Sudão, a partir deste ponto, como um país nilótico, de língua árabe no centro, aberto para o Egito, com o sul como território interior. A separação transformou esse território interior numa fronteira. Cartum fica agora no sul do que resta, perto dessa fronteira, longe do Egito e do Darfur. Uma capital que parece central deslocou-se, em termos geográficos, para a orla do seu próprio país.
O Darfur não obedece ao rio
O Darfur fica a oeste, na direção do Chade e da República Centro-Africana: um Sahel de montanhas, uádis e pastagem, não de braços do Nilo. As estradas até Cartum são longas. A história política da região é a sua: sultanatos, depois um lugar marginal no Estado, em seguida guerras em que milícias, o exército e aldeias deslocadas desenharam o mapa real. Se contares o Sudão apenas como um dom do Nilo, o Darfur já ficou de fora da história. O oeste não é um apêndice irrigado. É outro Sudão.
A norte de Cartum começa o deserto, que conduz ao Egito, com o Nilo como única faixa densa. A leste, as colinas sobem em direção ao mar Vermelho, com Porto Sudão como porto. O deserto, o oeste e o mar ficam, cada um, longe da língua de terra. A libra sudanesa não encurta a estrada de El Fasher a Cartum. Aqui a superfície é o facto político.
A confluência explica Cartum. Não explica o Darfur, e não explica o mar Vermelho.
- TerraTally · Redação de países
Quando a guerra chegou à capital
A guerra entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido mostrou quão vulnerável é uma capital na confluência quando a violência já não fica na periferia. Os combates chegaram à própria Cartum, a ministérios e mercados, às pontes entre as três cidades. Parte da administração mudou-se para Porto Sudão, no mar Vermelho. As listas continuam a indicar Cartum como capital. Esse é o nome jurídico. Ao lado, a guerra deixou uma geografia prática: o porto em vez da língua de terra, a costa em vez do nó dos rios.
O árabe continua a ser a língua do centro; o inglês, a língua dos tratados e do trabalho internacional. Nenhuma das duas faz do Darfur, do deserto e do mar Vermelho um só espaço político. O Sudão é o país da confluência, e o país que sofre com essa imagem quando a capital arde. Conhecer Cartum é conhecer o lugar em que dois Nilos se tornam um. Conhecer o Sudão é guardar as estradas que partem desse ponto.
Cartum continua a ser o nome da capital porque a confluência é o lugar mais forte do país. O Sudão continua a ser maior do que esse lugar: deserto em direção ao Egito, Darfur a oeste, Porto Sudão a leste, Sudão do Sul para lá da fronteira, a sul. O rio junta a água. Não junta o país.