São Marinho é uma república que Itália encerra por completo. Não há um segundo vizinho nem um caminho para o mar que não atravesse chão italiano. A capital tem o mesmo nome que o Estado e fica no monte Titano. O Estado é pequeno. Não é um distrito de Rimini.
O único vizinho terrestre é Itália. A estrada que sobe da planície vem do Adriático, da direção de Rimini, e acaba numa cumeada, não numa costa. Na vida ordinária a passagem está aberta. Os tratados com Itália regem a vizinhança, a alfândega e o movimento, sem que São Marinho deixe por isso de ser um Estado próprio. O italiano é a língua oficial dos dois lados da linha. A linha continua a ser uma fronteira de qualquer modo, porque do outro lado se senta outro parlamento.
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São Marinho num relance
Capital
São Marinho
Superfície
61 km²
Habitantes
34 109
Língua(s) oficial(is)
Italiano
Moeda
Euro
Continente
Europa
Particularidade
Uma república inteiramente encerrada por Itália
Só Itália como vizinho
São Marinho cobre 61 quilómetros quadrados e tem uma população de 34 109. A capital é a cidade de São Marinho, no monte Titano. O centro histórico e a montanha são Património Mundial. As torres da cumeada são a silhueta, não um Estado a mais. Sob a montanha, em direção à planície italiana, ficam as vilas onde vive e trabalha uma grande parte das pessoas. A capital fica na altura. O Estado é uma montanha com uma orla de povoamento, inteiramente encerrado por um só vizinho.
Um enclave desta espécie vive de uma fronteira que não tem de fechar todos os dias. A abertura está acordada politicamente. São Marinho renunciou ao controlo duro porque o vizinho é a única porta e porque os dois lados falam italiano, usam as mesmas estradas e partilham a mesma vida diária. Não renunciou ao seu próprio direito. A fronteira é permeável e continua a ser a linha exterior de um Estado que não tem outra saída.
O Titano e os capitães-regentes
À cabeça do Estado estão dois capitães-regentes. O Conselho Grande e Geral elege-os para um mandato de seis meses. A duplicação é o sentido da instituição: não um só chefe de Estado, mas um par que partilha um mandato curto e depois sai. Numa montanha encerrada por um Estado muito maior, isso não é folclore para visitantes. É o modo como a república evita que o governo se torne uma pessoa que se pudesse confundir com Itália.
A república faz remontar a sua continuidade política a uma comunidade no monte Titano e trata essa continuidade como mais antiga do que o Estado italiano à volta. A data lendária de fundação não tem de ser tomada como um levantamento. Basta o facto histórico: São Marinho não foi absorvido quando Itália se unificou. A montanha ficou de fora, embora geograficamente esteja dentro. Os capitães são o sinal visível dessa recusa: um par novo de seis em seis meses, numa cumeada que Itália contorna e não possui.
Itália encerra São Marinho. Não substitui o parlamento do monte Titano.
TerraTally · Redação de países
O euro sem adesão à União
São Marinho não é membro da União Europeia. Usa o euro mesmo assim, ao abrigo de um acordo monetário com a União, e cunha moedas de euro próprias. A moeda é, portanto, a mesma que em Itália e não é a mesma coisa que a adesão. Se pagas em São Marinho, pagas na moeda do vizinho e continuas num Estado que não se senta à mesa da União. O euro aqui é um tratado, não uma bandeira.
O italiano dos dois lados torna ainda mais fácil não ver a fronteira, e é exatamente por isso que o Estado tem de a manter visível nas suas instituições. A mesma língua, a mesma moeda, estradas abertas, outro Estado. Os capitães, o parlamento no Titano e a face própria da moeda de euro da república são os sinais que ficam quando a barreira não está. São Marinho não precisa de uma costa para ser soberano. Precisa de um governo que não seja Itália, numa montanha que Itália não absorveu.
São Marinho é a prova de que um Estado pode prescindir de um segundo vizinho e de um mar, se a montanha sustenta um governo próprio. Itália é todo o mundo exterior. O Titano é o interior. Os capitães mudam. A fronteira fica.