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A República do Congo é o país em frente de Kinshasa

Brazzaville fica na margem norte do Congo. Esta república é o Estado dessa margem, não a República Democrática em frente.

Qualquer atlas escolar que imprime uma só etiqueta, Congo, já erra na primeira curva do rio. A República do Congo é o Estado da margem norte do Pool Malebo, e a sua capital é Brazzaville. Kinshasa, do outro lado da água, pertence a outrem.

A partir de Brazzaville o perfil de outra capital não é uma metáfora. É Kinshasa, do outro lado do Pool Malebo, tão perto que a travessia é um percurso de barco e continua a ser uma fronteira. A república saiu do território colonial francês sobre o rio. A República Democrática saiu do belga. Essa partição é mais antiga do que qualquer uma das duas independências, e ainda decide que bandeira ondula sobre que margem. Brazzaville não é um subúrbio que a história se esqueceu de anexar. É uma sede de governo.

República do Congo num relance

Capital

Brazzaville

Área

342 000 km²

Habitantes

6,5 milhões

Língua(s) oficial(is)

Francês

Moeda

Franco CFA

Continente

África

Particularidade

Capital de frente para Kinshasa

O rio leva o nome e a fronteira

O país cobre 342 000 quilómetros quadrados e tem uma população de 6 484 437 habitantes. Brazzaville é a capital. Por terra os vizinhos são o Gabão, os Camarões, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo e Angola, cuja província de Cabinda encontra a costa a sul. Para leste e para sul a fronteira é o próprio Congo e, num longo troço, também o Ubangui. O que num mapa pequeno parece um Estado compacto da África central é, na prática, um país organizado ao longo de uma margem que não possui sozinho.

Diz-se Congo-Brazzaville quando o nome curto mandaria o leitor para a capital errada. A alcunha não está na constituição. É uma correção prática. Se misturares os dois países, misturas a lei no cais, o exército na balsa e a bandeira sobre o porto. O ponto político da república é simples: esta margem é um Estado completo, embora o vizinho seja maior e partilhe o nome do rio. Meter os dois numa só palavra apaga a única fronteira que a própria água traça com clareza.

A capital fica no rio, o porto fica no mar

Brazzaville não olha para o Atlântico. A costa da república fica mais a oeste, em Pointe-Noire, e não é a foz do Congo. Cabinda fica entre este Estado e a foz. A República Democrática começa na outra margem. Abaixo do Pool o rio quebra-se em quedas, de modo que a partir da capital não se chega ao oceano de barco. O país mantém, portanto, duas portas que não coincidem: uma porta fluvial em frente de Kinshasa e uma porta marítima numa costa curta que não entrega ao oceano o rio que lhe dá o nome.

O caminho de ferro de Brazzaville a Pointe-Noire é a ponte terrestre que as quedas tornam necessária. A carga, os alimentos e as pessoas que se movem entre a capital e o tráfego de ultramar usam-no porque o rio não o faz. O petróleo ao largo deu peso ao porto costeiro sem deslocar a sede do governo. A política fica no Pool. A porta para o oceano fica na costa atlântica. Se desenhares esta república como um mero interior de Kinshasa, essa segunda porta desaparece do mapa.

Brazzaville é a capital porque a fronteira passa aqui pelo rio, não porque o mar comece aqui.

- TerraTally · Redação de países

Francês no cargo, lingala e kituba no país

O francês é a língua oficial. A constituição nomeia ao lado o lingala e o kituba como línguas veiculares nacionais. O kituba assenta numa base kikongo, e por isso a ficha de país da TerraTally lista o kikongo e não o kituba. Leis, escolas e gabinetes correm em francês. O rio, os mercados e a estrada entre a cidade e a floresta correm em lingala e em kituba. A língua oficial mantém unida a administração. Não é a única voz do país.

A floresta da bacia do Congo cobre o norte, a costa e a linha para Pointe-Noire cobrem o sul, e a capital fica entre os dois sobre o Pool. A moeda é o franco CFA da África Central do Banco dos Estados da África Central, partilhado com vizinhos da mesma união monetária, entre eles os Camarões e o Gabão. A república está presa ao rio e ao grande vizinho, à floresta e a uma costa que não é a foz do rio do seu nome.

Esta república não se explica pelo vizinho, e não se explica sem esse vizinho. Brazzaville é a cidade que mantém os dois Congos separados. Pointe-Noire é a prova de que esta margem tem um mar próprio.