A República Democrática do Congo é um Estado do tamanho de uma bacia, e a bacia é o Congo. Kinshasa, a capital, fica onde o rio se aproxima do Atlântico e, do outro lado da água a partir de Brazzaville, começa o outro Congo. A maior parte do país fica a montante e longe dessa porta. O rio liga. A distância governa.
Os números da TerraTally dão 2 344 858 quilómetros quadrados e 112 832 473 pessoas. A capital é Kinshasa. Por terra o Estado faz fronteira com Angola, o Burundi, a República Centro-Africana, a República do Congo, o Ruanda, o Sudão do Sul, a Tanzânia, o Uganda e a Zâmbia. É uma vizinhança enrolada em volta de uma bacia interior, com apenas um acesso curto ao Atlântico. O francês é a língua oficial. O kikongo, o lingala, o suaíli e o tshiluba são as línguas nacionais da constituição. A moeda é o franco congolês.
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RD do Congo num relance
Capital
Kinshasa
Área
2 344 858 km²
Habitantes
112,8 milhões
Língua(s) oficial(is)
Francês
Moeda
Franco congolês
Continente
África
Particularidade
Bacia fluvial com a capital na porta baixa
O rio segura a capital na saída
Kinshasa fica no Pool, o troço largo do Congo, mesmo antes de as corredeiras cortarem o caminho para o mar. Do outro lado da água está Brazzaville, capital da República do Congo. Dois Estados partilham o nome de um rio e põem as capitais no mesmo par de margens. Para Kinshasa o rio é estrada, fronteira e razão ao mesmo tempo. O Atlântico está perto e, mesmo assim, não é o horizonte quotidiano da cidade. O porto de Matadi, mais abaixo, é a ligação marítima estreita de um enorme interior.
A montante a bacia abre-se. Em longos troços o Congo e os seus afluentes são a única ligação contínua. Estradas e caminhos de ferro nunca assumiram esse papel no país inteiro. Governar a partir de Kinshasa é governar ao longo de uma via de água que liga a capital ao interior e a separa ao mesmo tempo. O Estado tira o nome do rio porque o rio é o que torna esta área legível como uma só figura. A administração tem de viver com a brecha que o rio não fecha.
O leste olha para os lagos
No leste a vista muda. O Kivu e a fronteira lacustre ficam longe de Kinshasa. Os vizinhos ali são o Ruanda, o Burundi, o Uganda e a Tanzânia. O Sudão do Sul fecha o nordeste, a Zâmbia e Angola o sul, a República Centro-Africana o norte, a República do Congo o oeste. Essa lista não é uma nota à margem. Descreve um Estado cujas bordas apontam para regiões diferentes de África. O leste olha para os Grandes Lagos. A capital olha para o rio baixo.
No sudeste, em direção à fronteira zambiana, fica o distrito do cobre e do cobalto. Pesa na economia e fica longe de Kinshasa na política. No leste, o conflito armado fez durante muito tempo de uma presença ténue do Estado a condição corrente. Este texto não dá um número de vítimas nem um número de produção para isso. Basta o facto geográfico: a mesma capital deve sustentar uma bacia fluvial, um distrito mineiro e uma fronteira lacustre dentro de um só Estado. A distância não é o cenário. É o problema do governo.
O Congo transforma muitas paisagens num só Estado. Não anula a distância entre Kinshasa e o leste.
- TerraTally · Redação de países
Francês no cargo, as línguas veiculares no país
A constituição faz do francês a língua oficial e nomeia o kikongo, o lingala, o suaíli e o tshiluba como línguas nacionais. Não é uma lista folclórica. O lingala sustenta Kinshasa e o eixo do rio. O suaíli sustenta o leste. O kikongo pertence ao oeste, o tshiluba a Kasai. O francês é a língua da lei, da escola e dos gabinetes da capital, não a única língua da vida diária. Um Estado desta extensão precisa de uma língua oficial partilhada e, mesmo assim, continua ordenado por regiões na fala.
O franco congolês da Banque centrale du Congo unifica o Estado no papel do tesouro, como o francês o unifica no papel da lei. Nem a moeda nem a língua oficial encurtam a estrada de Kinshasa para Goma ou para Lubumbashi. A capital à porta explica o acesso. Não explica o interior.
Se contares este país como um armazém de matérias-primas, falhas o mapa. Primeiro é uma bacia com uma porta. Kinshasa vigia a saída baixa. O leste, o sul e o norte ficam noutras vizinhanças. O rio mantém o nome unido. A distância mantém a política separada.