O Paraguai fica entre a Argentina, a Bolívia e o Brasil e não tem costa própria. A localização só por si não explica o país. É o Estado em que o guarani não ficou na língua de uma minoria.
A capital, Assunção, fica junto ao rio Paraguai. As línguas oficiais são o espanhol e o guarani. A moeda leva o mesmo nome que a língua. 7 013 078 pessoas vivem em 406 752 quilómetros quadrados. A superfície é a de um Estado sem litoral entre vizinhos maiores. A língua é o que faz deste país mais do que o intervalo entre o Brasil e a Argentina. Se desenhas só o intervalo, tens o mapa. Ainda não tens o Estado.
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Paraguai num relance
Capital
Assunção
Superfície
406 752 km²
Habitantes
7 milhões
Língua(s) oficial(is)
Guarani e espanhol
Moeda
Guarani
Continente
Américas
Particularidade
O guarani como língua da nação
O guarani não é uma língua minoritária
A constituição torna oficiais ao mesmo tempo o espanhol e o guarani. Não é uma linha simbólica dirigida só às comunidades indígenas. O guarani ouve-se na vida diária muito para além dessas comunidades, muitas vezes misturado com o espanhol na forma de fala chamada jopará. O censo não lista a língua como um resto à margem. Lista uma língua falada no país. Se descreves o Paraguai só em espanhol, descreves uma metade oficial e deixas a outra de fora.
Este Estado afasta-se, portanto, do padrão em que uma língua colonial ocupa o gabinete e a língua mais antiga recua para a família. No Paraguai a língua mais antiga também está no gabinete. O espanhol continua a ser a língua de uma parte da escrita, dos Estados vizinhos e da cidade que fala para fora. O guarani continua audível mesmo onde ninguém tem à vista uma comunidade indígena. A república não decidiu chamar oficial só a uma das duas vozes.
No Paraguai o guarani não é folclore ao lado do Estado. É uma das vozes em que o Estado fala de forma oficial.
TerraTally · Redação de países
Encravado entre vizinhos maiores
Os vizinhos terrestres são a Argentina, a Bolívia e o Brasil. Nenhum é uma orla pequena, e nenhum deixa o Paraguai chegar a um mar. O Estado está encravado porque os territórios maiores à volta ocupam as costas. Assunção fica junto a um rio, não num porto oceânico. Essa é a forma geopolítica básica: um país cuja saída é sempre também a pergunta de como chegar à água através do território de outros.
A oeste fica o Chaco, em direção à fronteira boliviana, seco e de uma economia diferente da do leste ao longo do rio. A guerra com a Bolívia por esta terra fixou na política a fronteira ocidental. Não é uma linha que o terreno tivesse tornado evidente por si. A leste e a sul, o Brasil e a Argentina apertam como os vizinhos grandes. Entre eles o Paraguai não é um tampão sem conteúdo próprio. É um Estado com uma língua que nenhum dos dois vizinhos usa como língua nacional.
Os rios são o caminho para o mar
Assunção fica junto ao rio Paraguai. Mais a sul esse rio encontra o Paraná, e o Paraná leva ao Rio da Prata. Para um Estado sem litoral isto não é um desvio de um manual romântico. É o caminho para o mar que o país tem sem possuir uma costa. A tese do encravamento é justa para a fronteira terrestre. Deixa de ser completa assim que se lê também a água. O Estado acaba na fronteira. A água não.
No Paraná está Itaipu, uma central hidroelétrica que o Paraguai explora juntamente com o Brasil. O vizinho grande não é aqui só uma fronteira. É um parceiro na mesma barragem. O Paraguai continua a ser a parte menor num rio que não controla sozinho, e ao mesmo tempo um Estado que estaria ainda mais encravado sem esse rio. A moeda lembra a língua no seu nome. A geografia lembra que esta língua sustenta um Estado que tem de partilhar a sua saída.
O Paraguai é o Estado sem litoral que fez do guarani uma língua oficial da nação e toma o caminho para o mar por rios que partilha com vizinhos maiores. O intervalo no mapa é real. A língua nesse intervalo é o Estado a sério.