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Wellington fica no estreito para que nenhuma ilha possua sozinha o Estado

A capital fica no estreito entre as ilhas principais. O tratado fundador não diz o mesmo nas duas línguas.

Wellington não fica no meio de uma ilha. Fica no estreito de Cook, onde a Ilha Norte e a Ilha Sul mais se aproximam. A capital foi transferida de Auckland para este passo estreito em 1865. O Estado não devia pertencer à cidade maior, mas ao lugar onde a água parte o país.

A Nova Zelândia não tem vizinhos terrestres. 5 324 700 pessoas vivem em 270 467 quilómetros quadrados, na sua maior parte nestas duas ilhas. Auckland, na Ilha Norte, continua a ser a cidade maior. Wellington, no extremo sul da mesma ilha, continua a ser a sede. A Ilha Sul leva os Alpes do Sul e nenhuma capital. O mapa, por si, já obriga o Estado a levar o estreito a sério. O Tratado de Waitangi obriga-o a levar a fundação igualmente a sério.

Nova Zelândia num relance

Capital

Wellington

Área

270 467 km²

População

5,3 milhões

Língua(s) oficial(is)

inglês, te reo Māori, língua gestual neozelandesa

Moeda

dólar neozelandês

Continente

Oceânia

Particularidade

Capital no estreito entre as ilhas principais

O estreito é a razão da sede

A Ilha Norte, Te Ika-a-Māui, e a Ilha Sul, Te Waipounamu, estão separadas pelo estreito de Cook, Raukawa em maori. Wellington fica na ponta sul da Ilha Norte, de frente para o passo estreito. Uma balsa aqui não é um passeio. É a ligação entre as duas metades do país habitado. Uma sede de governo nesta margem diz que nenhuma ilha se devia limitar a visitar a outra quando se trata do Estado. A capital é uma dobradiça. Não é uma metrópole que já tivesse ficado com uma ilha.

Auckland foi a sede antes e continuou a ser a cidade maior. A mudança para o estreito foi a decisão de não fazer desse tamanho a capital. As cidades da Ilha Sul também não se tornaram a sede. O compromisso está no mapa: nem o golfo a norte nem os Alpes a sul possuem o gabinete. O sítio pôs a administração sobre a separação.

Um tratado, dois textos

O Tratado de Waitangi de 1840 sobrevive num texto inglês e num texto maori, e os dois textos não dizem o mesmo sobre a autoridade. O texto inglês fala de uma cessão de soberania à Coroa. O texto maori fala de kāwanatanga, um poder de governo, e reserva o tino rangatiratanga, a autoridade dos rangatira por direito próprio. O Estado vive dentro dessa diferença. Não é uma nota de rodapé para historiadores. É a razão de a terra, a língua e a jurisdição continuarem a gerar reclamações.

O Tribunal de Waitangi ouve reclamações que se seguem desta distância entre os textos. Tribunais e governos não trabalham sobre uma só página fundadora já fechada, mas sobre duas páginas que foram assinadas juntas. Esse é o quotidiano do retorno, da língua no gabinete e da pergunta do que a Coroa prometeu. O estreito divide as ilhas. O tratado divide o sentido do Estado que as quer governar juntas. Wellington senta-se sobre uma separação e administra a outra.

O estreito parte o mapa. O tratado parte o sentido do Estado. Wellington governa as duas separações.

- TerraTally · Redação de países

Línguas do Estado, e ilhas para lá do mapa

O inglês, o te reo Māori e a língua gestual da Nova Zelândia são línguas oficiais. O maori não é folclore ao lado do inglês. É a língua do tratado e, por lei, uma língua do Estado. A língua gestual também é lei, não uma cortesia dos gabinetes. Várias vozes no gabinete cabem a um Estado cuja fundação já precisou de dois textos. O dólar neozelandês, emitido pelo Banco da Reserva da Nova Zelândia, é a moeda única ao lado delas. As línguas são várias. O dinheiro é um. As duas coisas são uma decisão, não uma natureza das ilhas.

O mapa que se desenha primeiro pára nas duas ilhas grandes. O Estado constitucional chega mais longe. As ilhas Cook e Niue estão em livre associação, e Tokelau é um território da Nova Zelândia. Não são departamentos nem pontos esquecidos. Pertencem à esfera pela qual Wellington partilha a responsabilidade, sem os tratar como subúrbios do estreito de Cook. Se contares só as duas ilhas, contas a imagem habitada. O Estado é a ligação através da água e, para lá disso, através do Pacífico.

A Nova Zelândia é fácil de desenhar como duas ilhas. O Estado é a ligação: através do estreito, e através de um tratado que não diz o mesmo em duas línguas. Wellington fica no passo estreito porque é ali que se tem de decidir o que fica junto.