A Nigéria não se governa a partir da costa. Abuja fica no interior, no Território da Capital Federal, entre as grandes regiões do país. Lagos, no golfo da Guiné, foi a sede anterior e continuou a ser o porto. A federação tirou o Estado da água para que nenhuma cidade costeira o possuísse.
O Benim fica a oeste, o Níger a norte, o Chade a nordeste, os Camarões a leste. O golfo da Guiné abre-se a sul. O Níger chega do noroeste, o Benue de leste, encontram-se em Lokoja e seguem até ao delta. A norte destes rios há savana. A sul, floresta e a foz ramificada. 237,5 milhões de pessoas vivem em 923 768 quilómetros quadrados. O inglês é a língua da federação e a naira é a moeda. O haúça, o iorubá e o igbo sustentam a vida quotidiana em grandes partes do país sem serem a língua federal.
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Nigéria num relance
Capital
Abuja
Área
923 768 km²
População
237,5 milhões
Língua(s) oficial(is)
inglês
Moeda
naira
Continente
África
Particularidade
Capital planeada no interior, porto na costa
Abuja é uma decisão, não um porto
Abuja não cresceu porque os navios ali atracassem. A cidade foi traçada como sede da federação, num território próprio, longe de Lagos e longe dos antigos centros regionais. Um sítio interior devia impedir que o Estado pertencesse a uma só das grandes regiões, nem à costa a sul nem à savana a norte. Os ministérios, a assembleia nacional e a presidência ficam ali porque a federação assim o quis. A constituição nomeia Abuja como capital.
Lagos deixou a sede e conservou o porto. A cidade fica na lagoa e no golfo, no comércio e na densidade de uma metrópole costeira. Se entrares na Nigéria pelo mar, muitas vezes entras em Lagos. Se entrares como Estado, entras em Abuja. A separação não é uma nota de rodapé administrativa. É o modo como uma federação muito grande impede que a sua costa seja também a sua capital.
O rio leva o país, a capital fica de lado
Dentro da Nigéria o Níger não é uma orla. Atravessa o oeste e o centro, recebe o Benue em Lokoja e chega ao golfo pelo delta. Lokoja fica na confluência. Port Harcourt e as cidades do delta ficam nos braços da foz, em pântano e costa. Essa é uma geografia diferente da de Abuja. A capital, de propósito, não foi posta neste rio nem nesta foz. Devia juntar as partes sem ser ela própria uma das partes.
A norte da confluência o país torna-se savana. Kano é a grande cidade dali, longe da lagoa. A estrada de Kano a Lagos atravessa climas e línguas que a federação mantém juntos com uma só língua oficial. Abuja fica entre estes mundos, não dentro de um deles. A capital não pode, portanto, ser a cidade do norte nem o porto do sul. É o lugar que constróis quando te recusas a declarar que qualquer cidade já existente é o Estado.
Lagos é a costa. Abuja é a decisão de não deixar que a costa seja o Estado.
- TerraTally · Redação de países
Uma língua oficial sobre muitas vidas quotidianas
O inglês é a língua em que a federação escreve a lei e em que se encontram regiões que em casa falam haúça, iorubá, igbo e muitas línguas mais. Isto não diz que essas três sejam as únicas. Diz que a língua oficial é uma ponte, não o mapa das línguas maternas. Sem essa ponte o Estado seria difícil de levar como uma só administração. Com ela, a Nigéria continua multilingue na vida quotidiana e fica presa a uma língua no gabinete.
A naira, emitida pelo banco central, faz deste território um espaço de pagamento, não uma só paisagem. Juntamente com Abuja, essa é a construção: uma sede no interior, uma língua federal, uma moeda e uma costa que conserva o porto. 237,5 milhões de pessoas em 923 768 quilómetros quadrados puxariam, de outro modo, a capital de volta à lagoa. O Estado decidiu contra isso e pôs a decisão numa cidade própria.
A Nigéria é costa a mais para esquecer o porto, e grande de mais para se governar a partir da lagoa. Abuja segura o Estado no interior. Lagos segura o mar.