O Nepal não é um cume com um país por baixo. É a subida inteira, da planície quente a sul até à zona de neve permanente na fronteira com a China. Catmandu fica num vale dessa encosta e tem de governar as duas pontas.
Três faixas sobrepõem-se. A sul o Tarai, a planície contra a Índia. Por cima as colinas, onde fica o vale de Catmandu. Mais acima as altas montanhas, onde o Sagarmatha, o monte Evereste, marca a fronteira com a China. A tese não depende da altura do cume. É que um Estado tem de tratar estas faixas como uma só lei, embora o cultivo, o clima e a vida quotidiana mudem de faixa para faixa.
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Nepal num relance
Capital
Catmandu
Área
147 181 km²
População
29,6 milhões
Língua(s) oficial(is)
nepalês
Moeda
rupia nepalesa
Continente
Ásia
Particularidade
Fronteira aberta com a Índia, altas montanhas para a China
Três faixas, um vale como sede
O Tarai é subtropical, densamente povoado junto às alturas, e encostado à Índia. As colinas do meio são o Nepal político mais antigo da capital. As altas montanhas são pouco habitadas e o Estado chega-lhes com dificuldade quando um porto de montanha fecha. Catmandu fica numa bacia da zona média. Dali as estradas descem à planície e sobem às montanhas. O Estado é a autoridade deste desnível. Não é a autoridade de uma superfície plana.
29 618 118 pessoas vivem em 147 181 quilómetros quadrados. Os números não dizem que faixa tem a capital. Dizem que a encosta é habitada, não só escalada. O vale é estreito o bastante para ser uma cidade, e aberto o bastante para o Estado não poder tratar a planície e a neve como subúrbios. Se contares o Nepal a partir do cume, o Tarai torna-se uma nota de rodapé. A nota de rodapé é uma faixa inteira do país.
Uma fronteira aberta em baixo, uma fechada em cima
Os únicos vizinhos terrestres são a Índia e a China. Com a Índia há um regime de fronteira aberta: as pessoas vão e vêm, e o Tarai não é uma linha morta. Com a China a fronteira é uma bainha de alta montanha, não um portão quotidiano. A política externa do Nepal é esta assimetria. Um vizinho é a planície para onde desces. O outro é a crista que não atravessas de passagem. Um Estado sem litoral entre os dois continua a ser ele próprio só se não confundir o lado aberto com o alto.
A constituição de 2015 faz do Nepal uma república federal. A monarquia já não é a forma do Estado. O país divide-se em sete províncias, para que a encosta não se imagine só a partir do vale. O Tarai há de ser mais do que uma planície sob Catmandu, as colinas mais do que a sede natural, as altas montanhas mais do que uma fronteira feita de neve. Se as províncias o conseguem é política. Que a constituição tenha de tentar segue-se da forma do país.
O Nepal é a encosta inteira. A capital fica num vale dessa encosta, não por cima dela.
- TerraTally · Redação de países
Nepalês no gabinete, a rupia presa à Índia
O nepalês é a língua oficial da federação. As províncias podem nomear outras línguas como oficiais. No país falam-se muitas línguas maternas, diferentes na planície e nas colinas. A língua da capital não é, portanto, a única voz da encosta. É a voz em que se faz a lei federal. Se ouvires só nepalês, ouves Catmandu. Se ouvires o Tarai, ouves uma faixa que o Estado tem de governar sem a repetir na fala.
O Nepal Rastra Bank emite a rupia nepalesa. A sua taxa está indexada à rupia indiana. A fronteira aberta e esta indexação são a mesma vizinhança em duas formas: as pessoas atravessam, e o valor do dinheiro fica pendurado do dinheiro do vizinho de baixo. A China é o outro vizinho e não a âncora da moeda. A encosta tem, portanto, também uma direção monetária. Inclina-se para sul, para a fronteira que está aberta.
Catmandu governa um país que muda de clima à medida que sobes. O Estado continua a ser ele próprio quando planície, colinas e altas montanhas continuam a ser a mesma república, entre uma fronteira aberta e uma alta. O cume é o emblema. A encosta é o país.