Na costa da Namíbia fica o Namibe, um deserto que chega ao Atlântico. A capital não está ali. Windhoek ergue-se no planalto central, entre esse deserto costeiro e o Kalahari a leste. O Estado é a decisão de governar este país pouco povoado a partir dali, e de lhe dar uma língua oficial que nenhum grande grupo linguístico possui sozinho.
3 092 816 pessoas vivem em 825 615 quilómetros quadrados. Os dois números andam juntos: muita terra, pouca gente, e essa gente não espalhada de modo uniforme. A corrente fria de Benguela, ao largo da costa, mantém o Namibe seco. A leste o país passa para o Kalahari. Entre os dois fica o planalto onde Windhoek se senta. Walvis Bay é o porto. Não é a capital. Na Namíbia o mar e o gabinete são dois lugares.
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Namíbia num relance
Capital
Windhoek
Área
825 615 km²
População
3,1 milhões
Língua(s) oficial(is)
inglês
Moeda
dólar namibiano
Continente
África
Particularidade
Deserto na costa, capital no planalto
O deserto fixa a costa, o planalto a sede
O Namibe não é uma faixa ao lado do país. É a própria costa, do sul até à Costa dos Esqueletos a norte. Lugares como Swakopmund e Lüderitz ficam sobre ela, com nomes do período colonial alemão, e continuam a ser cidades costeiras. O porto que abastece o país é Walvis Bay. Windhoek fica no interior, no planalto, porque ali podem encontrar-se a água, as estradas e a administração. Uma capital na praia seria uma capital no deserto. O Estado pôs a sede onde um gabinete pode durar.
Os vizinhos são Angola, Botsuana, África do Sul e Zâmbia. A nordeste uma extensão estreita, a Região do Zambeze, chega ao rio e, com ele, à Zâmbia. Esse braço não é um capricho do desenho. Dá a um Estado desértico acesso a um grande rio, longe da costa atlântica. O país não é, portanto, só um planalto entre duas regiões secas. É também este longo alcance para leste. Windhoek governa as duas coisas a partir do meio do planalto, não a partir do mar e não a partir do Zambeze.
Uma língua oficial que nenhum grupo devia herdar
Sob o domínio colonial alemão, a força colonial fez a guerra aos herero e aos nama. O governo alemão chamou genocídio a essa guerra. Depois o país esteve muito tempo sob administração sul-africana. Estas duas camadas não são um fundo que se possa riscar. Estão nos topónimos, nas questões de propriedade e na língua dos gabinetes mais antigos.
O inglês é a única língua oficial. Na independência não era a língua da maior parte das casas. O afrikaans tinha sustentado a administração do apartheid. O oshiwambo, o alemão, o khoekhoegowab e outras línguas ficaram na vida quotidiana. A constituição escolheu o inglês para que o gabinete não pertencesse a uma só comunidade. Isso é uma geografia política da voz. O deserto diz onde o povoamento é possível. A língua oficial diz quem não ganha já no balcão pela língua materna.
O deserto decide onde as pessoas podem viver. A constituição decide quem pode falar pelo Estado.
- TerraTally · Redação de países
O dólar namibiano e as línguas ao lado
O Banco da Namíbia emite o dólar namibiano. Está indexado ao rand sul-africano, e o rand também tem curso legal no país. Uma moeda própria, presa à de um vizinho, é a forma monetária do mesmo problema: ser independente e continuar dependente da África do Sul, que continua a ser o grande vizinho a sul. O porto, as estradas e o tesouro apontam para essa dependência, e para a tentativa de lhe dar um nome próprio.
O letreiro oficial diz inglês. Na cidade ouve-se mais. O alemão não é língua oficial e continua presente em Windhoek, Swakopmund e Lüderitz, como rasto do período colonial e como língua viva de uma minoria. O oshiwambo sustenta uma grande parte do norte. A constituição não tornou oficiais estas línguas. Deixou-as na vida quotidiana e deu ao Estado outra voz. A Namíbia não é, portanto, um país monolingue com um deserto à volta. É um deserto com um Estado de planalto que primeiro teve de decidir a sua língua partilhada.
A Namíbia é um mapa grande com um país pouco povoado. Windhoek segura o gabinete no planalto. O inglês segura o balcão. O Namibe segura a costa. O Estado é o esforço de não confundir estas três coisas umas com as outras.