Procura o Montenegro e a primeira imagem é a baía de Kotor, uma costa adriática curta sob uma muralha de montanhas. O Estado a que pertence essa imagem não põe a capital à beira da água. Podgorica fica no interior, e a moeda em circulação é o euro, sem que o país o emita.
Por trás da costa erguem-se os Alpes Dináricos, à frente abre-se o Adriático e, na fronteira com a Albânia, estende-se o lago Skadar. A constituição nomeia Podgorica como capital e Cetinje como capital real histórica. Governa-se na planície, mais perto das estradas do que das baías. O Montenegro deixou a união de Estados com a Sérvia e decidiu ser um Estado próprio.
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Montenegro num relance
Capital
Podgorica
Área
13 812 km²
População
623 129
Língua(s) oficial(is)
montenegrino
Moeda
euro
Continente
Europa
Particularidade
Euro sem emissão própria
A costa é a imagem, Podgorica é a sede
A baía de Kotor é um braço de mar dobrado, fechado pelas montanhas. Traz a imagem que os mapas escolares e os viajantes mostram primeiro. O Estado senta-se noutro sítio. Podgorica fica na planície do Zeta, para o interior, onde se juntam a administração, o trânsito e a maior parte da vida urbana. Cetinje, mais acima nas montanhas, continua a ser o lugar da antiga capital. A constituição guarda os dois nomes, para que a memória do principado não se confunda com o cargo. Se contares só a costa, contas uma vista. Se nomeares Podgorica e Cetinje, contas a ordem do Estado.
O interior não é um resto atrás de uma margem. É carso, planalto e uma fronteira próxima quase por toda a parte. A Albânia, a Bósnia e Herzegovina, a Croácia, a Sérvia e o Kosovo são os vizinhos nos dados do país. Um território tão estreito não tem uma zona-tampão profunda. Qualquer estrada longa entra depressa noutro ordenamento jurídico. Por isso uma capital interior não é um capricho de planeamento. Fica onde as estradas do país se cruzam, não onde o mar mais se parece consigo mesmo.
Ser pequeno é aqui uma decisão política
O Montenegro estava unido à Sérvia numa união de Estados e deixou essa união. A separação não produziu um território vasto. Produziu um governo, uma fronteira e um nome próprios. Numa região onde os Estados foram desfeitos e recompostos mais de uma vez, esse é o facto que importa. Um país de montanhas no Adriático recusou-se a continuar a ser só uma costa ou só uma província. A forma do Estado não saiu da contagem de quilómetros quadrados. Saiu da decisão de tratar esta área como uma república.
623 129 pessoas vivem em 13 812 quilómetros quadrados. O número não explica uma riqueza nem uma estratégia. Explica por que os gabinetes de Podgorica estão perto das pessoas, e por que cada vizinhança continua a ser política externa. Um Estado deste tamanho não pode separar a costa do interior, mesmo quando as imagens o fazem. A baía continua a ser a porta. A planície continua a ser a sede. Entre as duas não há um segundo país, mas o mesmo, sem a vista para o mar.
A costa explica a vista. Não explica onde se senta o Estado, nem de quem é o dinheiro que usa.
- TerraTally · Redação de países
O euro sem uma casa da moeda própria
O Montenegro paga em euros e não é membro da zona euro. O Banco Central do Montenegro não emite as notas. A política monetária decide-se noutro sítio, numa união monetária a que o país não aderiu. É um limite deliberado da sua própria autoridade: uma moeda estável, sem prensa própria para as notas. A dependência vê-se na carteira.
O montenegrino é a língua oficial, e o latim e o cirílico têm o mesmo estatuto. O sérvio, o bósnio, o albanês e o croata estão em uso oficial. O Estado não finge que um só nome de língua cobre todos os que aqui vivem. Num país que deixou uma união maior, o nome da língua é em si uma linha política. Diz que a república se dá uma voz oficial e não empurra as outras vozes para fora do balcão. Costa, capital e moeda seriam só geografia sem esta ordem da língua.
O Montenegro confunde-se com facilidade com a sua costa. O Estado é a capital interior, a capital histórica guardada na constituição e uma moeda que funciona porque outros a emitem. Pequeno não é aqui uma etapa para algo maior. Pequeno é a forma em que o país se pode governar.