No mapa, a Mongólia fica entre a Rússia e a China e é feita sobretudo de distância. Se procurares a terra em si, encontras estepe, deserto e montanhas. O Estado que sustenta tudo isto fica em Ulaanbaatar, e quase só ali.
3 568 978 pessoas vivem em 1 564 110 quilómetros quadrados. Isto não é uma folha em branco. É um país cujo lar ordinário foi durante muito tempo o rebanho, e cuja exceção devia continuar a ser a cidade. A exceção tornou-se a capital. Quem precisa de papéis, de uma universidade ou de um inverno longe do pasto vem a Ulaanbaatar. A estepe continua a ser a área do país. A cidade continua a ser a sua administração.
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Mongólia num relance
Capital
Ulaanbaatar
Área
1 564 110 km²
População
3,6 milhões
Língua(s) oficial(is)
Mongol
Moeda
tugrik
Continente
Ásia
Facto distintivo
Sem litoral entre a Rússia e a China
O pasto é o país, a cidade é o Estado
O Gobi fica a sul, o Altai a oeste, a estepe aberta no centro, floresta e montanhas em direção à Sibéria a norte. Os rebanhos movem-se entre eles. Cavalo, ovelha, cabra, bovino e camelo não são motivos de postal. São a razão de um lar não ter de ficar num sítio fixo. Um Estado, mesmo assim, precisa de sítios fixos: um parlamento, um arquivo, um hospital a que se possa chegar no inverno. O pasto explica a área. Não explica o gabinete.
Ulaanbaatar fica no Tuul, não no centro geométrico do território, mas onde cresceu a administração moderna. À volta dos edifícios permanentes há bairros de gers. As pessoas mudam-se para a capital e trazem consigo a habitação da estepe. Uma cena de rua sustenta o que puxa o país em direções opostas: o Estado quer concentração, o modo de viver continua móvel. Se leres a Mongólia apenas como vazio, escapa-te essa rua, onde as duas verdades valem ao mesmo tempo.
Entre dois vizinhos que não são pares
Os únicos vizinhos terrestres são a Rússia a norte e a China a sul. A Mongólia não tem acesso ao mar nem um terceiro vizinho que pudesse equilibrar o peso. Caminho de ferro, linha elétrica e rota de exportação têm de contar com este par. A independência não é, portanto, uma cerimónia. É a decisão de manter uma lei própria entre dois países muito maiores, com uma capital própria e uma fronteira própria.
A Mongólia partilha uma longa fronteira com a China, e uma história que não é a mesma que a da Mongólia Interior do outro lado da linha. O Estado em Ulaanbaatar não é uma província de um vizinho. Tem constituição própria e política externa própria, precisamente porque os vizinhos são suficientemente grandes para o tratar como um vão. Se leres o mapa apenas pela área dos gigantes, vês um corredor. Se o leres pela lei, vês um Estado.
A estepe não precisa de um centro. O Estado precisa, e o nome dele é Ulaanbaatar.
- TerraTally · Mesa de países
Uma língua em duas escritas, uma moeda própria
O mongol é a língua oficial. Na administração escreve-se em regra em cirílico, herança das décadas em que o Estado esteve estreitamente ligado à União Soviética. Ao lado, o país conserva a escrita vertical tradicional, a forma mais antiga da mesma língua. Duas escritas não são ornamento. Mantêm aberta a pergunta de que modernidade conta quando as pessoas leem: aquela em que os serviços trabalharam durante muito tempo, ou a que se escrevia antes desse tempo.
A moeda é o tugrik, a palavra para redondo. O Banco da Mongólia emite-o, não nenhum dos vizinhos. Para um Estado sem litoral isso não é uma questão lateral. Quem cunha a moeda fixa a unidade em que o rebanho, a renda em Ulaanbaatar e o imposto do Estado partilham um nome. A estepe pode viver sem capital. Sem uma moeda própria, o Estado teria dificuldade em mostrar que é mais do que o vão de outros.
A Mongólia é fácil de desenhar como um vão entre dois gigantes. Com mais precisão é um pasto com uma cidade que tem de sustentar o Estado, porque nenhum outro centro se encarrega disso. Ulaanbaatar não é o país inteiro. Sem Ulaanbaatar, o país seria difícil de manter como Estado.