Naypyidaw não está onde estava a antiga capital. O Estado mudou a sede de Yangon, a cidade portuária do delta do Irauádi, para uma cidade construída de raiz no interior. O país em que as pessoas vivem não se moveu com essa transferência.
Mianmar é uma união de uma planície e de terras de colinas dispostas à volta dessa planície. Os bamar são a maioria na planície e dão ao Estado a sua língua oficial. Shan, Kachin, Kayin, Rakhine, Chin, Mon e Kayah não são folclore na orla. São espaços políticos com nome próprio e, muitas vezes, com armas próprias. Uma capital nova pode mudar uma morada. Não pode achatar esse mapa.
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Mianmar num relance
Capital
Naypyidaw
Área
676 578 km²
População
54,9 milhões
Língua(s) oficial(is)
birmanês
Moeda
kyat
Continente
Ásia
Particularidade
Sede do governo longe da antiga cidade portuária
Uma capital que o Estado construiu
Yangon era a sede onde coincidiam porto, comércio e administração. Naypyidaw fica a norte, no interior mais seco, planeada como cidade de governo de ministérios, um parlamento e eixos largos. A constituição nomeia Naypyidaw como capital. A mudança é, portanto, lei, não apenas uma obra. O que fica é que a grande cidade do país continua a chamar-se Yangon. Quem procura um porto, um jornal, uma multidão não procura a morada nova. Procura a antiga.
O Irauádi é o eixo da planície, das montanhas a norte até ao delta em Yangon. Mandalay, no curso médio, é a outra grande cidade do interior, mais antiga do que Naypyidaw e não inventada como capital. Entre estes lugares está o coração bamar. A capital nova assenta nesse coração e, ainda assim, ao lado: perto o bastante para reclamar a planície, longe o bastante de Yangon para não ser a sua rua. Isto é arquitetura política. Não substitui uma cidade que já lá estava.
Uma união que a sede não uniu
O birmanês é a língua oficial. É a língua dos bamar da planície, não a única língua da união. Nas colinas e na costa ocidental, os territórios levam outros nomes, e organizações armadas administram partes do país ao lado do centro ou contra ele. Naypyidaw é a morada a partir da qual o centro fala. Não é a morada em que esse discurso chega a toda a parte. A geografia das montanhas fez sempre o Estado maior do que um ministério consegue alcançar.
Em Rakhine, uma lei da cidadania manteve os rohingya em grande medida fora da cidadania plena. Uma grande parte deles fugiu para o Bangladeche. Não é um capítulo lateral da pergunta pela capital. Mostra que a união falha não só nas armas, mas na pergunta de quem conta como seu. A tomada do poder de 2021 voltou a colocar a cúpula militar na morada de Naypyidaw. A cidade construída é o lugar a partir do qual se enuncia essa pretensão sobre a união inteira, sem que as orlas tenham ficado incorporadas por ela.
Naypyidaw é a morada do Estado. Não é a morada do país.
- TerraTally · Redação de países
Planície, porto e montanhas não partilham uma política
Bangladeche, China, Índia, Laos e Tailândia são os vizinhos terrestres. O Estado fica entre a Ásia do Sul e o Sudeste Asiático, com costa no golfo de Bengala e no mar de Andamão. 54 850 648 pessoas vivem em 676 578 quilómetros quadrados. O número descreve uma população grande num território de planície e montanha. Não descreve estas pessoas como se partilhassem uma capital só porque a constituição nomeia uma.
O Banco Central de Mianmar emite o kyat. É a moeda da união no papel do Estado. Nas terras fronteiriças a vida quotidiana está mais perto da Tailândia, da China ou da Índia do que de Naypyidaw. É a mesma tese na vizinhança: o Estado construiu para si uma morada, e o país continua a viver onde a planície, o porto e as montanhas já estavam. Uma capital mudada não unifica nem o alcance dos gabinetes nem a pergunta de quem é cidadão.
Uma capital pode mudar-se. A planície, o porto e as montanhas não se podem empurrar para o mesmo consentimento. Mianmar mostra que uma sede é uma decisão e um país é outra coisa. Naypyidaw continua a ser a morada. Yangon e as terras de colinas continuam a ser a substância.