Bagdade fica sobre o Tigre, e a constituição do Iraque recusa transformar os dois rios num país monolingue. O árabe e o curdo são oficiais ao mesmo tempo. O mapa habitado segue a água. O mapa político segue esse desdobramento.
A Mesopotâmia não é aqui uma metáfora de grande antiguidade. É o lugar: o Eufrates a oeste da planície, o Tigre sob Bagdade, o curso comum para sul até ao Shatt al-Arab e ao Golfo. Longe dos rios o país torna-se depressa deserto em direção à Síria e à Jordânia, ou montanha no norte. A constituição faz do árabe e do curdo as línguas oficiais e reconhece a Região do Curdistão como região da federação. Os números do país dão 438 317 quilómetros quadrados e 47 020 774 habitantes. O dinar iraquiano é o dinheiro do banco central.
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O Iraque num relance
Capital
Bagdade
Superfície
438 317 km²
Habitantes
47 milhões
Língua(s) oficial(is)
Árabe e curdo
Moeda
Dinar iraquiano
Continente
Ásia
Particularidade
Árabe e curdo oficiais lado a lado
O Tigre e o Eufrates são o mapa real
Bagdade é a capital porque o Tigre pode sustentar ali uma cidade, não porque a superfície tenha um centro. A cidade fica na terra de aluvião, entre os dois rios, mais perto do Tigre. A sul dela os rios aproximam-se. Baçorá fica na extremidade inferior, onde o Iraque tem a sua costa curta sobre o Golfo, entalada entre o Irão e o Kuwait. O oeste, em direção ao deserto sírio e jordano, é grande no mapa e fino no povoamento. A tese da geografia física é clara: o Estado é denso onde chega a água dos dois rios.
Por isso o nome de aula, Mesopotâmia, é por uma vez geograficamente útil, se não se usar como um disfarce. Diz que partes dos 438 317 quilómetros quadrados sustentam o Estado na vida quotidiana e quais são a vizinhança do deserto. A Turquia a norte e o Irão a leste não são só nomes na orla. Perto deles ficam os cursos altos e as montanhas de onde vem a água ou ao longo das quais ela passa. Sem essa posição Bagdade seria uma cidade sem razão.
A Mesopotâmia não é uma metáfora. É a posição de Bagdade.
- TerraTally · Redação de países
Árabe e curdo na mesma constituição
A constituição põe duas línguas oficiais lado a lado, não uma língua com uma minoria tolerada. O curdo é uma língua oficial do Estado, não só das montanhas. A Região do Curdistão descreve-se como uma região da federação, com instituições próprias no norte. O Iraque é, por isso, federal exatamente no ponto onde se encontram a língua e o planalto. Um Estado unitário com uma língua de chancelaria árabe etiquetaria mal este mapa.
A par do árabe e do curdo a constituição nomeia outras línguas que são oficiais nas unidades administrativas onde se falam. O siríaco, a língua aramaica de comunidades cristãs, está entre elas, tal como o turcomano e o arménio. O sorani é uma forma do curdo que dá forma à vida escrita quotidiana do norte, não uma terceira língua oficial a par das duas da constituição. O resumo deste atlas diz, por isso, árabe e curdo. Tudo o resto é local, e local aqui é um termo constitucional, não um capítulo de folclore.
Um acesso estreito ao Golfo
Os vizinhos terrestres são a Turquia, o Irão, o Kuwait, a Arábia Saudita, a Jordânia e a Síria. Quase por toda a parte o Iraque acaba contra outra terra. A exceção é a costa curta do Golfo a sul, o único acesso ao mar, e politicamente pesada por isso. O petróleo do sul e dos campos do norte procura essa saída, sem que este texto tenha de nomear quantidades. A geografia basta: um país de dois rios tem uma janela para o mar, e a janela fica entre dois vizinhos.
O dinar sustenta esta estrutura como uma só área monetária, da região do norte até à costa de Baçorá. Não substitui nem o árabe nem o curdo. Só mostra que a federação, apesar das duas línguas oficiais, tem um tesouro. Bagdade administra esse tesouro sobre o Tigre. Os rios explicam onde estão as pessoas. A constituição explica em que línguas o Estado lhes fala.
O Iraque é habitável onde os rios deixam água, e legível como Estado onde o árabe e o curdo querem dizer o mesmo texto. Bagdade sobre o Tigre é a capital desse desdobramento. O Golfo é apenas a saída estreita.