A Geórgia fica no Cáucaso como uma passagem entre o mar Negro e o leste montanhoso. Tbilissi assenta no vale do Mtkvari, nem num cume nem no porto. A capital administra o país a que consegue chegar. Não consegue chegar à Abecásia nem à Ossétia do Sul.
A TerraTally indica 69 700 quilómetros quadrados e 3 935 766 habitantes. Os vizinhos são a Arménia, o Azerbaijão, a Rússia e a Turquia. A língua de Estado é o georgiano e, na Abecásia, segundo a constituição, também o abecásio. Paga-se em lari. O Grande Cáucaso a norte e o Pequeno Cáucaso a sul deixam ao Estado um vale. A capital está nesse vale. Nas orlas ficam territórios que outra vida quotidiana governa.
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A Geórgia num relance
Capital
Tbilissi
Superfície
69 700 km²
Habitantes
3,9 milhões
Língua(s) oficial(is)
Georgiano, abecásio na Abecásia
Moeda
Lari
Continente
Ásia
Particularidade
Capital de vale e territórios que Tbilissi não dirige
Tbilissi no vale entre as cadeias
O Mtkvari, em muitos mapas o Cura, divide Tbilissi. A cidade é apertada porque o vale é apertado, e só se espalha onde as encostas o permitem. Kutaisi, mais a oeste, é a tradição urbana mais antiga, e Batumi, na costa do mar Negro, o porto. Nenhuma dessas cidades substitui Tbilissi. A capital fica onde as estradas do leste, do oeste e do sul têm de se cruzar se não quiserem passar por cima das montanhas.
Essa posição faz da Geórgia um corredor. A Arménia e o Azerbaijão ficam a sul e a leste, a Turquia a sudoeste, a Rússia por trás da cordilheira principal. Quem quiser ir do mar Negro para a bacia do Cáspio sem passar pela Rússia ou pelo Irão atravessa este vale. Tbilissi não é, por isso, uma capital qualquer de um país de montanha. É a cidade que administra a passagem, enquanto a passagem estiver nas suas mãos.
A costa e os territórios sem Tbilissi
Batumi e a faixa costeira de sudoeste pertencem à vida quotidiana da capital. A costa da Abecásia, não. A Ossétia do Sul, na língua de Tbilissi a região de Tskhinvali, fica a norte da capital, a caminho do Grande Cáucaso, e também não é administrada a partir de Tbilissi. Desde a guerra de 2008 a Rússia reconheceu ambas como Estados. A maioria dos outros Estados, e resoluções reiteradas da Assembleia Geral da ONU, tratam-nas como parte da Geórgia.
O corredor está, por isso, incompleto nas mãos do Estado que o possui no mapa. Falta à capital uma parte da margem do mar Negro. Também uma parte da fronteira norte. A constituição reclama todo o território, incluindo o abecásio como língua de Estado ao lado do georgiano. A reivindicação e a administração separam-se. A Geórgia é essa separação, não apenas uma cidade de vale com vinhas.
Tbilissi administra o vale. Nem todas as partes do mapa respondem a Tbilissi.
- TerraTally · Redação de países
Uma escrita que só aqui sustenta uma língua de Estado
O georgiano escreve-se com uma escrita própria, que não é uma variante do alfabeto latino, cirílico ou árabe. A língua é a língua de Estado de uma república cujos vizinhos falam outras famílias. Isso separa Tbilissi de Moscovo, de Ancara e também de Baku e de Erevan com mais clareza do que a distância em quilómetros. O lari faz na moeda o que a escrita faz na lei: marca um Estado próprio no corredor.
O abecásio figura na mesma constituição, para um território que Tbilissi não administra. A cláusula não é um pormenor para quem ama as línguas. Mostra que o Estado meteu as suas orlas no texto, também onde a administração acaba. A Geórgia continua a ser um corredor entre o mar e as montanhas. O mapa está completo. A capital, não.
Podes lembrar a Geórgia como um país de montanha entre vizinhos e só a entendes se perguntares o que Tbilissi administra de facto. O vale pertence à capital. Partes da costa e do norte estão no mapa e não na administração quotidiana.