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A Etiópia é um planalto sem costa e uma capital para muitos povos

A Etiópia não tem costa própria. Adis Abeba sustenta uma federação no planalto, e o mar fica com os vizinhos.

A Etiópia é um Estado de planalto sem um mar próprio. Adis Abeba fica no planalto, não numa costa. O mar Vermelho começa só para lá da fronteira, na Eritreia e no Jibuti. A capital tem de sustentar uma federação cujos povos não falam uma só língua.

A TerraTally dá 1 104 300 quilómetros quadrados e uma população de 135 472 051. Não tem porto dentro do seu próprio território. Os vizinhos são o Jibuti, a Eritreia, o Quénia, o Sudão, a Somália e o Sudão do Sul. O amárico é a língua de trabalho do governo federal, o birr é o dinheiro. O Estado está construído como federação porque o planalto leva muitas comunidades políticas e nenhuma costa que as unisse por si só.

A Etiópia num relance

Capital

Adis Abeba

Área

1 104 300 km²

População

135,5 milhões

Língua(s) oficial(is)

Amárico

Moeda

Birr

Continente

África

Particularidade

Estado de planalto sem costa marítima própria

Planalto sem porto

Adis Abeba fica no alto, num anel de colinas, uma capital jovem de um império velho. O clima da cidade é o do planalto, não o da depressão de Danakil nem o da fronteira com o Quénia. O Rifte da África Oriental corta o país. A oeste fica o bloco maior do planalto, a leste um segundo planalto e depois a encosta seca para o mar Vermelho, que o Estado já não possui.

Desde que a Eritreia é um Estado próprio, o comércio externo atravessa território de outrem. O Jibuti é o corredor estreito que comboios e camiões usam para chegar ao mar. Não é uma vergonha da geografia. É a posição. Um país deste tamanho sem costa depende dos portos dos vizinhos e das estradas que levam até lá. Adis Abeba decide no planalto. O navio atraca noutro sítio.

Adis Abeba sustenta uma federação

A constituição faz do amárico a língua de trabalho do governo federal e declara iguais as línguas do país. O oromo, o tigrínia, o somali, o afar e outras não são dialetos da língua de uma capital. São línguas de regiões próprias. A federação é a tentativa de sustentar isso em estados regionais, em vez de administrar um império de planalto só a partir de Adis Abeba. A tentativa está politicamente disputada, porque as fronteiras das regiões ordenam as pessoas e os conflitos ao mesmo tempo.

A capital é mais do que uma sede de escritórios. Adis Abeba é o lugar onde a federação se encontra consigo mesma: ministérios, representações das regiões, a sede da União Africana. Um Estado sem litoral deste tamanho precisa de uma cidade que não continue a ser a cidade de um só povo. Se o consegue é a pergunta aberta da constituição, não uma pergunta de altitude sobre o mar.

O mar pertence aos vizinhos. A federação tem de sustentar, no planalto, o que nenhuma costa junta.

- TerraTally · Redação de países

O Nilo começa aqui, o mar está ao lado

A partir do lago Tana o Nilo Azul corre para norte, através do Sudão, e só muito mais tarde se torna o rio que se conhece no Egito. A Etiópia fica, portanto, na nascente de um rio que outros Estados tratam como um cordão de vida. A disputa sobre a barragem e o caudal é a política externa de um país sem costa: um Estado que não tem porto tem mesmo assim algo de que se precisa rio abaixo.

O birr, o amárico e Adis Abeba sustentam o nível federal. As regiões sustentam as línguas e uma grande parte da política. Entre eles não há uma costa que oriente o país para uma cidade portuária. A Etiópia não se desenha, portanto, como uma margem. Desenha-se como um planalto que perdeu o seu mar e traduziu as suas muitas línguas numa federação.

A Etiópia é grande demais para passar despercebida como Estado sem litoral, e alta demais para a confundires com um país costeiro. Adis Abeba governa um planalto. O navio, o Nilo e os portos dos vizinhos são as orlas exteriores deste Estado.