Num mapa escolar a Eritreia é uma faixa ao longo do mar Vermelho. A capital contradiz esse desenho. Asmara fica no planalto, atrás da escarpa, e a costa segura-se a partir dali. O mar é a orla exterior. O planalto é a sede do poder.
Os números da TerraTally dão 117 600 quilómetros quadrados e uma população de 3 607 003. Em terra os vizinhos são o Sudão, a Etiópia e o Jibuti. Nos assuntos de governo a tigrínia, o árabe e o inglês correm lado a lado, e paga-se em nakfa. O Estado saiu de uma longa guerra com a Etiópia e conservou a sua própria porta para o mar Vermelho. Se contares só a secessão, perdes o degrau que separa o porto da capital.
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Eritreia num relance
Capital
Asmara
Área
117 600 km²
Habitantes
3,6 milhões
Língua(s) oficial(is)
Tigrínia, árabe, inglês
Moeda
Nakfa
Continente
África
Facto distintivo
Capital de planalto acima dos portos do mar Vermelho
Asmara fica acima da escarpa
Asmara fica no planalto de Hamasien. A estrada que desce para Massawa atravessa a escarpa que separa o planalto da planície costeira. Keren fica na encosta, Assab muito a sul, numa baía própria. O percurso da capital ao porto muda o clima, a língua da rua e a lógica económica. A administração está em cima. Carregar, descarregar e vigiar a água estão em baixo. O Estado é essa mudança de altitude.
O período colonial italiano construiu Asmara como cidade administrativa no planalto, não como porto. A malha de ruas é a de uma capital de planalto. Massawa continua a ser a velha porta para o mar, quente, apertada, virada para o tráfego marítimo. Assab fica tão a sul que é uma segunda costa dentro do mesmo Estado. Um mapa que só mostra a linha de costa transforma este empilhamento numa linha. No país é um dia de viagem e uma vertente de poder.
A costa lê-se como uma questão de segurança
O mar Vermelho é uma das passagens marítimas estreitas entre o Mediterrâneo e o oceano Índico. A costa da Eritreia fica nessa passagem, em frente à península Arábica. Um Estado pequeno com margem própria não lê o porto como um postal. Lê-o como uma porta que não tenciona voltar a perder. A posição explica a atenção dada à fronteira. Não desculpa a maneira como o Estado está construído por dentro.
A constituição de 1997 foi adotada e nunca entrou em vigor. As eleições nacionais que prevê não se realizaram. O serviço nacional é obrigatório e, na prática, sem um fim claro. A frente que fez a guerra da independência continuou a ser o governo. O planalto governa, portanto, mais do que uma costa. Governa uma sociedade que o Estado trata como mobilizada em permanência. A passagem marítima continua estratégica. A vida quotidiana é a mobilização.
A capital vê o mar de cima. O país segura-se na costa.
- TerraTally · Redação de países
Línguas sem uma única língua oficial
A constituição declara iguais as línguas do país e não nomeia uma única língua oficial. Nos gabinetes, a tigrínia, o árabe e o inglês servem como línguas de trabalho. A tigrínia é a língua do planalto, o árabe pesa na costa e entre as comunidades muçulmanas, o inglês é a língua da escola e dos processos que deixaram o domínio colonial e a guerra. Três línguas de trabalho não são aqui folclore. São o mapa: planalto, costa, administração.
O nakfa substituiu o birr etíope como dinheiro de um Estado próprio. Uma moeda, neste caso, é uma fronteira política, não apenas um meio de pagamento. Diz que os salários, os impostos e os preços já não se fixam em Adis Abeba. Juntamente com a capital no planalto, isso dá uma imagem clara. A Eritreia é pequena em área e grande em posição, porque a costa e o planalto estão dentro de um Estado dirigido de cima por um governo fechado.
A Eritreia pode lembrar-se como um porto no mar Vermelho e entender-se como uma capital no planalto. As duas coisas andam juntas. Asmara fica em cima, e em baixo está o acesso que o Estado não tenciona voltar a ceder.