O Catar é uma península cuja única fronteira terrestre leva à Arábia Saudita. O Estado fica em Doha. A maioria de quem vive lá não são cidadãos catarianos. Essa é a geografia política, não uma estatística de lado.
A capital é Doha. O árabe é a língua oficial, o rial catariano a moeda. Em 11 586 quilómetros quadrados vivem 2 972 215 pessoas. Este número de população conta quem vive no país, não só quem tem o passaporte. A Autoridade de Planeamento e Estatística regista os cidadãos como minoria dos residentes. Uma península pequena leva, por isso, uma cidade cuja vida quotidiana é maior do que o eleitorado, e um Estado cuja tesouraria depende do gás.
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O Catar num relance
Capital
Doha
Área
11 586 km²
População
3 milhões
Língua(s) oficial(is)
Árabe
Moeda
Rial catariano
Continente
Ásia
Traço distintivo
Península com uma fronteira terrestre face à Arábia Saudita
A fronteira terrestre é uma só
A Arábia Saudita é o único vizinho terrestre. A fronteira corre pela base da península. O resto é costa, no golfo entre a península Arábica e o Irão. Por mar, o Barém, os Emirados Árabes Unidos e o Irão ficam perto. Não são vizinhos terrestres, e os dados do país não os enumeram como tais. A estreiteza política do Catar é esta única fronteira terrestre: quem quiser sair do país por terra entra na Arábia Saudita. Qualquer outro caminho é um navio ou um avião.
A península não é, por isso, um país de trânsito como um istmo que outros tenham de cruzar. É um apêndice do continente arábico com soberania própria. A condição de Estado não depende de uma grande área. 11 586 quilómetros quadrados chegam porque a fronteira é curta e a água forma o resto do contorno. A pequenez aqui não é uma fraqueza do desenho. É a condição: um Estado que é quase só costa e, mesmo assim, tem uma fronteira terrestre que suporta o que está em jogo por terra.
Doha reúne o Estado
Doha não é uma capital ao lado de outras cidades de igual peso político. A administração, o porto e a vida política concentram-se ali, na costa leste da península. Os lugares mais a norte ou na costa oeste pertencem ao Estado sem repetir a capital. Se procuras o Catar no mapa, encontras uma península. Se procuras o Estado na vida quotidiana, encontras uma cidade. A área de 11 586 quilómetros quadrados governa-se a partir dessa cidade, não a partir de uma rede de centros iguais.
O árabe é a língua oficial, a língua da constituição e dos cidadãos. Na jornada dos residentes que chegaram de outro sítio ouve-se muitas vezes o inglês, sem que seja oficial. A cidade fala, por isso, mais do que a lei reconhece como oficial. Isso encaixa numa capital cujas ruas não são o mesmo que o eleitorado. Doha é a sede de um Estado árabe e, ao mesmo tempo, o local de trabalho de uma população residente que, na maioria, não tem a cidadania desse Estado.
Cidadãos, residentes, gás
A separação entre passaporte e lugar de residência é o mapa social do Catar. A residência e o trabalho de quem não é cidadão dependem de um estatuto jurídico que não é a cidadania. A minoria de cidadãos forma a comunidade política. A maioria dos residentes forma a vida quotidiana da cidade, a obra, o hospital, o hotel. Um atlas que desenha só a península vê o contorno. Não vê que, dentro desse contorno, dois modos diferentes de pertença se sobrepõem.
Esta construção sustenta-se com receitas públicas do gás natural, em especial do jazigo ao largo que o Estado chama North Field. A área não explica a riqueza. O jazigo ao largo da costa explica como um Estado pequeno pode ter uma tesouraria grande sem que essa tesouraria saia só do trabalho dos cidadãos. O rial é o dinheiro dessa tesouraria. Os cidadãos são o círculo político dela. Os residentes são as pessoas que enchem a cidade. O Catar é a península em que estas três coisas não coincidem.
Doha é maior do que o eleitorado, e a península é mais pequena do que a tesouraria que o gás enche.
— TerraTally · Mesa de países
O Catar é uma península com uma fronteira terrestre e uma cidade que reúne o Estado. O número de população não descreve a cidadania. Se lês só os quilómetros quadrados, lês o contorno. A forma política está em Doha, no passaporte e no jazigo de gás ao largo da costa.