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Um reino cujo rio muda de direção

Phnom Penh fica onde o Mekong e o Tonlé Sap se encontram. Na estação das chuvas o Tonlé Sap inverte o curso.

Phnom Penh não fica num ponto qualquer de um rio. A cidade fica onde se encontram o Mekong, o Tonlé Sap e o Bassac. Uma vez por ano o Tonlé Sap muda de direção. O reino tem o calendário também na água.

O Camboja fica no Sudeste Asiático, entre a Tailândia, o Laos e o Vietname. A área é de 181 035 quilómetros quadrados, a população de 17 847 982 habitantes. A capital é Phnom Penh. A língua e a escrita oficiais são o khmer. O Estado é uma monarquia constitucional, o budismo é a religião do Estado, a moeda chama-se riel. Isso é a forma política. A forma geográfica é a confluência e o rio que volta para trás.

O Camboja num relance

Capital

Phnom Penh

Área

181 035 km²

População

17,8 milhões

Língua(s) oficial(is)

Khmer

Moeda

Riel

Continente

Ásia

Traço distintivo

Capital na confluência, rio que muda de direção

A cidade dos braços que se encontram

Em Phnom Penh o Mekong superior encontra o Tonlé Sap, e o rio divide-se no Mekong inferior e no Bassac. A capital fica nesse nó, não na costa e não nas montanhas da fronteira tailandesa. Entra-se no Estado por estradas da Tailândia, do Laos ou do Vietname, ou pelo rio. O rio continua a ser o caminho mais antigo. Phnom Penh é a capital porque as águas obrigam a uma cidade ali, não porque um plano pusesse um centro num país vazio.

Angkor, perto de Siem Reap no noroeste, é o outro centro e não a capital. O conjunto de templos está na lista do Património Mundial. Lembra um reino cujo centro político não era Phnom Penh. O reino de hoje governa a partir da confluência. O sítio histórico e a capital viva ficam separados, e isso impede reduzir o Camboja aos templos. Os templos são pedra. A capital é o nó dos rios.

Quando o Tonlé Sap vira

Na estação seca o Tonlé Sap corre do grande lago do noroeste para sudeste e junta-se ao Mekong em Phnom Penh. Na estação das chuvas o Mekong sobe, e a corrente vira: a água volta para o lago, e o lago alastra. A Comissão do Rio Mekong descreve esta inversão como o ritmo do sistema fluvial. Nenhuma represa na capital a inventou. O próprio rio põe o calendário.

Para a capital, isso significa que a água à porta não aponta sempre para o mesmo lado. Os pescadores, os campos junto ao lago e o nível na confluência dependem desta inversão. Um reino cuja capital assenta num nó assim não é um Estado que entenda a geografia só como fronteira com a Tailândia, o Laos e o Vietname. As fronteiras são reais. O rio que muda de direção é o relógio interior.

Quando o Tonlé Sap vira, vira o ano. A capital fica exatamente aí.

— TerraTally · Mesa de países

Reino, escrita e dois dinheiros

A constituição de 1993 restaura o reino, depois do tempo do Kampuchea Democrático. O rei é o chefe de Estado, o budismo é a religião do Estado, o khmer é a língua e a escrita oficiais. Essa é a resposta política a uma rutura que os rios não explicaram e que a constituição não conta em números. Põe uma monarquia na confluência e uma escrita que não é a dos vizinhos. O tailandês, o laosiano e o vietnamita são outras línguas. O khmer é como o país se escreve.

O riel é a moeda do banco nacional. Nos pagamentos quotidianos o dólar dos Estados Unidos usa-se ao lado dele. Dois dinheiros num reino cujo rio já tem duas direções não são uma curiosidade à margem. Mostram que o Estado pôs uma moeda própria e o mercado guardou uma segunda. Phnom Penh cobra nas duas. Na geografia, a cidade continua a ser o lugar onde o Tonlé Sap corre para o Mekong ou se afasta dele. Na política, continua a ser a capital da constituição de 1993.

O Camboja é o reino no nó do Mekong, do Tonlé Sap e do Bassac. Uma vez por ano o rio aponta para o outro lado, e o lago respira com ele. Phnom Penh continua a ser a capital, o khmer a escrita, o riel a moeda do Estado. Angkor fica noutro sítio. O rio fica aqui.