Gitega é a capital que o Estado colocou no interior. Bujumbura continua no lago Tanganica e continua a ser a capital económica. O Burundi tirou a morada política da margem.
O Burundi fica na África Oriental, entre o Ruanda, a Tanzânia e a República Democrática do Congo. Em 27 834 quilómetros quadrados vivem 14 390 003 pessoas. É um território pequeno para tantos habitantes. O lago do sudoeste é o Tanganica, e Bujumbura fica na sua extremidade norte. Gitega fica no interior, no planalto central. Desde a lei de 4 de fevereiro de 2019 são duas capitais diferentes.
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Burundi num relance
Capital
Gitega
Área
27 834 km²
Habitantes
14,4 milhões
Língua(s) oficial(is)
Kirundi, francês, inglês
Moeda
Franco do Burundi
Continente
África
Particularidade
Capital política no interior, economia no lago
Gitega decide, Bujumbura negoceia
A Constituição permite que uma lei mude a capital ou separe a capital política da económica. A lei de 4 de fevereiro de 2019 usou essa possibilidade. Gitega é a capital política. Bujumbura é a capital económica. O Estado deixou de fingir que o poder tinha de se sentar no porto do lago apenas porque o porto está lá e o tráfego urbano é mais antigo.
Bujumbura continua a ser a cidade junto da água, com o lago como fronteira e como caminho para a República Democrática do Congo do outro lado. O comércio, a habitação e uma grande parte da vida urbana continuam presos a essa margem. Gitega é a cidade das instituições políticas que o Estado mudou para lá. Uma capital, neste caso, não é uma questão do povoamento maior. É uma questão de que planalto o Estado considera a sede da decisão.
Muita gente, pouca terra
14 390 003 habitantes em 27 834 quilómetros quadrados fazem um país em que a terra escasseia. Colinas e planalto estão cultivados, as explorações ficam perto, a fronteira com o Ruanda a norte e com a Tanzânia a leste fica próxima de quase qualquer ponto. O lago é a única orla aberta grande. Um Estado desta densidade não pode colocar a capital como um símbolo numa paisagem vazia. Coloca-a onde quer tirar peso político à margem cheia.
A estreiteza explica também por que a capital económica não se muda sem mais. Bujumbura tem o lago, as estradas e o hábito do mercado. Gitega tem a lei. As duas cidades continuam a ser necessárias, porque o país é pequeno demais para empilhar função e história num só lugar, e cheio demais para fazer do porto a única morada. A moeda, o franco do Burundi, vale nas duas. O banco central emite-a. O dinheiro não distingue as duas capitais.
Uma capital é uma decisão. A margem do lago é apenas um lugar.
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O kirundi nas leis
O kirundi é a língua nacional. A Constituição exige que cada texto legislativo tenha uma versão em kirundi. O francês e o inglês são também línguas oficiais, fixadas por lei ao lado do kirundi. O francês é a língua do período colonial belga e da administração que se seguiu, o inglês a língua oficial acrescentada mais tarde. Nenhuma das duas substitui a regra de que a lei tem de existir em kirundi. A capital política do interior e a língua nacional andam juntas: o Estado não fala apenas na língua da capital do lago.
O Ruanda, a norte, partilha com o Burundi grande parte da paisagem, e uma língua aparentada, mas é outro Estado. A Tanzânia a leste e a República Democrática do Congo do outro lado do lago são os outros vizinhos. Entre estes vizinhos, o Burundi respondeu por si à pergunta da capital. Gitega é a cidade política. Bujumbura é a cidade do lago. O kirundi é a língua em que a lei tem de poder ler-se, decida-a uma das duas cidades ou a outra.
O Burundi é um país densamente povoado na extremidade norte do lago Tanganica que colocou a sua capital política em Gitega. Bujumbura continua a ser a cidade económica junto da água. O kirundi continua a ser a língua sem a qual uma lei não está completa. O lago perdeu a morada do poder.