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Erevan olha para uma montanha que não está na Arménia

Num dia claro o Ararat está no horizonte de Erevan. O cume está na Turquia, a capital no país.

A partir de Erevan, num dia claro, o horizonte é uma montanha que a capital não possui. O Ararat, chamado Masis em arménio, fica para lá da fronteira, na Turquia. A planície é arménia. O cume não.

3 086 700 pessoas vivem em 29 743 quilómetros quadrados. A capital é Erevan, e fica na planície do Ararat, perto da fronteira ocidental. O país não tem mar. Os vizinhos são a Turquia, a Geórgia, o Azerbaijão e o Irão. O lago Sevan, a leste, é a grande água interior, um lago em lugar de uma costa. A fronteira aqui não é uma orla distante. É o horizonte da capital.

A Arménia num relance

Capital

Erevan

Área

29 743 km²

População

3,1 milhões

Língua(s) oficial(is)

Arménio

Moeda

Dram

Continente

Ásia

Particularidade

Uma vista do Ararat para lá da fronteira

A vista e a fronteira são a mesma frase

Erevan não é uma capital no meio de uma planície larga que se estenda por igual em todas as direções. Fica na orla da planície, e a montanha mais famosa do imaginário nacional está do outro lado da barreira. Não é uma metáfora de outra coisa. É a posição. Num troço, o Aras forma a fronteira com a Turquia e, mais adiante, com o Irão. A água e a montanha ficam, portanto, fora, enquanto a cidade que as olha fica dentro. Poucas capitais têm um horizonte estrangeiro tão claro.

Para o interior, a leste, o lago Sevan fica num planalto que não precisa de porto e não o tem. Gyumri, no noroeste, é a outra grande cidade, mais perto da Geórgia do que da planície do Ararat da capital. A Arménia é um planalto com a capital na sua orla mais conhecida. O Estado é pequeno no número da área e está visualmente preso a uma montanha que não governa. Erevan vê esse facto nas manhãs claras, sem poder movê-lo.

O horizonte mais famoso de Erevan é real, e fica no estrangeiro.

- TerraTally · Redação de países

Quatro vizinhos, sem água salgada

A Turquia a oeste, a Geórgia a norte, o Azerbaijão a leste, o Irão a sul. Sem costa, cada carga que não voa atravessa um destes quatro. A Geórgia tem as rotas para o mar Negro. O Irão tem o sul. A fronteira ocidental é a da montanha à vista. A fronteira oriental com o Azerbaijão é a orla politicamente mais afiada do mapa. Este perfil não a redesenha e não atribui território. Só diz que esta orla está mais disputada do que uma linha administrativa tranquila.

Um Estado sem litoral no Cáucaso não tem uma posição neutra só porque é pequeno. Os vizinhos são maiores, ou estão mais perto de mares a que a Arménia não chega. A capital pode ver o Ararat e não pode ver o mar Negro. Essa ordem é a geografia, não um ranking de culturas. Se descreves a Arménia como um planalto entre Estados maiores, descreves o mapa. Se a descreves como um país costeiro, descreves outro.

Uma escrita própria, um dram próprio

O arménio é a língua oficial, e escreve-se com uma escrita própria, não com uma variante dos alfabetos dos vizinhos. Na página o Estado vê-se, portanto, distinto do mapa, onde parece encaixado entre a Turquia, a Geórgia, o Azerbaijão e o Irão. A escrita leva a língua para lá da fronteira, a lugares para onde foram os arménios, sem que esses lugares se tornem território arménio. Dentro do país é a escrita da constituição, da escola e da capital.

O dram é a moeda, emitida pelo banco central em Erevan. Um planalto sem mar conserva esta unidade própria em vez do dinheiro de um vizinho. O dram circula na capital, no lago Sevan e em Gyumri. Um país pequeno, com uma montanha estrangeira à vista, conservou pelo menos o seu dinheiro e a sua escrita. A fronteira move o cume. Não move o alfabeto.

A Arménia é um Estado sem litoral cuja capital olha para uma fronteira. O Ararat continua a ser a imagem. Também continua a ser a montanha de outro país.