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Luanda olha para o Atlântico, e uma parte de Angola não lhe toca

A capital fica na baía. Cabinda pertence a Angola e fica cortada do território principal por terra congolesa.

Luanda fica numa baía do Atlântico. Angola governa-se dali. Um pedaço do Estado fica mesmo assim onde não podes chegar a partir da capital por terra própria do país. Cabinda é angolana e está cortada do território principal.

39 040 039 pessoas vivem em 1 246 700 quilómetros quadrados. A capital é Luanda. O território principal vai da costa atlântica para o interior, até à Namíbia a sul, à Zâmbia a leste e à República Democrática do Congo a norte e a leste. A norte da foz do Congo, para lá de uma faixa congolesa, fica Cabinda. Tem costa própria. Simplesmente não tem uma ponte de terra até Luanda.

Angola num relance

Capital

Luanda

Área

1 246 700 km²

População

39 milhões

Língua(s) oficial(is)

Português

Moeda

Kwanza

Continente

África

Particularidade

Cabinda separada do território principal

A capital é um porto, e o país não é só isso

Luanda cresceu de um porto atlântico a capital. O português é a língua oficial que este porto e o interior partilham. A costa não acaba na baía: Benguela e Lobito ficam mais a sul, também no mar. Por trás, a terra sobe até ao planalto. Os rios correm para a bacia do Congo e, a sul, o Cunene corre para a Namíbia. O Cuanza, que dá nome ao kwanza, sai do interior e chega à costa a sul da capital. O Estado é porto e planalto ao mesmo tempo.

Os vizinhos do território principal tornam visível esta dupla posição. A oeste está o oceano e mais ninguém. A sul a Namíbia, a leste a Zâmbia, a norte e a leste a República Democrática do Congo. Angola não é um Estado sem litoral à procura de um corredor. Tem a costa. Também tem um território que começa uma segunda vez nessa costa, depois de ter ficado terra estrangeira no meio.

Cabinda fica do outro lado do Congo

Cabinda fica a norte da foz. Entre ela e o território principal, a República Democrática do Congo tem a faixa ao longo do estuário. Cabinda faz fronteira com esse vizinho e com a República do Congo. Se queres ir de carro de Luanda a Cabinda, sais de Angola. Não é uma anedota à margem do mapa. É a forma do Estado: uma constituição, uma capital, uma moeda, e uma província a que a capital não entra por terra própria.

Cabinda não é um interior que tenha esquecido a costa. Tem o Atlântico por sua conta. A separação é política e geográfica ao mesmo tempo, porque no meio está outro Estado, não um troço vazio de savana própria de Angola. Muitas vezes conta-se o petróleo como o relato inteiro deste pedaço. A forma é mais velha do que qualquer contagem de barris. O Atlântico dá a Angola uma costa. Não cose Cabinda a Luanda.

O Atlântico dá a Angola uma costa. Não volta a coser Cabinda ao território principal.

- TerraTally · Redação de países

O português nas duas peças, o kwanza nas duas

O português é a língua oficial de um país em que o quimbundo, o umbundo e o quicongo estão entre as grandes línguas da vida quotidiana. O quimbundo está em casa em torno de Luanda, o umbundo no planalto central, o quicongo no norte e em Cabinda. A língua oficial é aquela com que o Estado segura as duas peças num único texto. Não substitui as outras. É a camada partilhada sobre uma costa, um planalto e uma província separada.

O kwanza é a moeda, com o nome do rio que drena o território principal até à costa. Circula em Luanda, no planalto e em Cabinda. Um nome tirado da geografia do país contínuo também paga o pedaço a que esse rio não chega. Isso encaixa num Estado cuja capital fica na baía e cujo mapa continua a ter uma rutura. Luanda governa as duas margens. Só uma delas lhe está ligada.

Angola é um Estado atlântico com um vazio na sua própria continuidade. A capital vê o mar. Uma parte do país só a vê atravessando um vizinho.